Para onde a inteligência artificial está nos levando?

Por carambola.com.vc - 08/06/2015

Os recentes avanços na aprendizagem de máquina têm produzido resultados espetaculares, mas dois especialistas dizem que o verdadeiro truque será conectar conhecimentos de maneiras úteis.

Décadas depois de a ideia da inteligência artificial aparecer pela primeira vez, começamos a ver as máquinas aprender a executar alguns truques muito inteligente e reconhecer rostos e fala com uma precisão impressionante só pode ser o início. Hoje, dois especialistas em inteligência artificial esclareceram um pouco o quão longe isso pode ir na Dital Summit da MIT Technology Review realizada em San Francisco.

Adam Cheyer, um dos criadores do assistente pessoal da Apple, Siri, é cofundador de Viv Labs, uma empresa que está tentando construir um assistente pessoal consideravelmente mais capaz, que pode responder a perguntas sofisticadas que conectam diferentes conceitos. Por exemplo, pode ligar tempo e conhecimento geográfico com informações de sua agenda para responder perguntas como: “Se for chover hoje à noite, busque uma pizzaria perto da casa de meu irmão”.

Cheyer disse que, embora os avanços em inteligência artificial tenham dado a computadores habilidades notáveis, essas habilidades ainda são bastante restritas. Criar uma máquina que pode responder a uma pergunta ligando diferentes fontes de dados, ou conceitos diferentes, significa encontrar maneiras de conectar as fontes de conhecimento existente, sem precisar codificar explicitamente as conexões.

Cheyer afirma que alcançar isso significa automatizar algumas das tarefas de programação subjacentes. Então Viv Labs pode não apenas representar um avanço em IA, mas também pode ser um importante exemplo de como os computadores podem colaborar com os seres humanos em novas áreas. “A maior revolução que realmente está acontecendo sob o capô é na forma como o software é construído”, disse Cheyer. “Não é apenas sobre máquinas aprendendo funções especificas. Eles estarão ajudando a programar”

Cheyer sugeriu que isso seria ir bem além de apenas programação. “O objetivo será como fazer seres humanos e inteligência artificial trabalhar em conjunto em escala, onde os seres humanos estejam fazendo o que melhor sabem fazer e máquinas também”.

Muito do recente progresso em inteligência artificial se deve a um campo conhecido como aprendizagem profunda, que envolve treinar neurônios virtuais simplificados para reconhecer padrões usando quantidades de dados. Quoc Le, cientista pesquisador do Google Brain, descreveu seu mais recente trabalho sobre a aprendizagem profunda, uma área da aprendizagem de máquina que tem produzido resultados notáveis nos últimos anos (veja “Deep Learning Catches on In New Industries, from Fashion to Finance“).

Assim como acontece com a Viv Labs, o trabalho mais recente de Le envolve a combinação de diferentes abordagens para produzir mais do que a soma de suas partes. Isto significa conectar diferentes sistemas de aprendizagem profunda para produzir resultados impressionantes, como um sistema que pode responder a perguntas sobre conteúdo de imagens (veja “Google’s Brain-Inspired Software Describes What It Sees in Complex Images“). “Quando entendemos imagens, entendemos fala e entendemos texto, podemos conectar os domínios”, disse Le.

No entanto, Le disse que o maior obstáculo para o desenvolvimento de computadores mais verdadeiramente inteligentes é encontrar uma maneira para aprendam sem a necessidade de treinar com dados previamente rotulados em uma abordagem chamada “aprendizagem não supervisionada”.

Recentes avanços na inteligência artificial levaram algumas pessoas a se preocupar com o futuro do emprego em muitas indústrias e até mesmo máquinas superinteligentes que possam representar uma ameaça existencial. Nem Cheyer nem Le pareciam particularmente preocupados com a essa ideia. “Há muitas coisas que os seres humanos podem fazer que as máquinas não conseguem fazer hoje”, disse Cheyer. “Eu acho que haverá mudanças, mas eu não acho que vamos ficar sentado no sofá deixando os robôs rodar nossas vidas. Os seres humanos vão se adaptar”.


Via MIT