Cientistas revelam novas descobertas sobre como o cérebro forma as lembranças

Por carambola.com.vc - 02/07/2015

Um estudo publicado nesta quarta-feira (30) pela revista Neuron revelou que os neurônios do hipocampo – região do cérebro geralmente relacionada às emoções – desempenham um papel fundamental na capacidade de criar memórias e registrar fatos sobre os eventos e experiências da vida diária.

Esta descoberta pode levar a entender os mecanismos patológicos envolvidos na doença de Alzheimer e outros transtornos neurológicos vinculados à perda de memória, disseram os cientistas.

O estudo do doutor Matias Ison e do professor Rodrigo Quian Quiroga, da Universidade britânica de Leicester, junto ao doutor Itzhak Fried, da Universidade da Califórnia, revelou como os neurônios no cérebro respondem de uma maneira diferente quando é criada uma nova lembrança.

Quian destacou que é a primeira vez que é mostrado em um estudo com humanos o mecanismo neuronal da criação de lembranças episódicas (as que são formadas com nossas vivências pessoais).

Para seu estudo, os especialistas gravaram a atividade de mais de 600 neurônios usando eletrodos implantados no lóbulo temporal medial de 14 pacientes afetados por uma epilepsia grave, que usavam estes dispositivos para uma possível cura de sua doença com cirurgia.

Aos pacientes foram mostradas fotografias de famosos, perante as quais um neurônio respondia, além de lugares como a Torre Eiffel, a de Pisa e a Casa Branca, aos quais outro respondia. Depois, foi realizada uma montagem de imagens combinando essas pessoas e lugares, para que os pacientes criassem uma associação. Por exemplo: Julia Roberts na Casa Branca.

Uma vez que a pessoa criasse essa associação, os especialistas comprovariam que o neurônio que respondia ao ver a fotografia de Julia Roberts também começava a “disparar” ao ver a Casa Branca.

Para os cientistas, “o surpreendente é que a capacidade dos neurônios para responder a um estímulo diferente foi gerada rapidamente. No momento exato em que o paciente começou a lembrar da nova associação, o neurônio começou a disparar também o conceito associado”.

Este estudo “evidencia muito bem os processos neuronais que geram a formação de lembranças”, disse o especialista, para quem, a partir daí, foi aberto “um leque de perguntas”. Entre elas, quanto tempo as memórias duram no cérebro e como se consolidam.


Via INFO